A longa-metragem «18 Buracos para o Paraíso», realizada por João Nuno Pinto e inspirada no território alentejano, estreou ontem na 29.ª edição do Tallinn Black Nights Film Festival, na Estónia. A obra será exibida hoje na 40.ª edição do Mar del Plata Film Festival, na Argentina, único festival de classe A da América Latina.
O filme conta com interpretações de Margarida Marinho, Beatriz Batarda, Rita Cabaço e Jorge Andrade, integrando também membros da comunidade local onde foi rodado. A narrativa decorre numa herdade portuguesa afetada pela seca, mostrando proprietários e trabalhadores a relatarem os mesmos acontecimentos a partir de perspetivas distintas.
A produção recebeu a certificação internacional Green Film, tornando-se o primeiro filme português distinguido com este selo, que reconhece práticas ambientalmente responsáveis na área audiovisual. A obra tem 108 minutos, é falada em português e italiano e tem estreia comercial prevista em Portugal para 2026.
«18 Buracos para o Paraíso» é produzido pela Wonder Maria Filmes, com Andreia Nunes, em co-produção com a italiana Albolina Film e a argentina Aurora Cine. A distribuição internacional está a cargo da Alpha Violet.
As sessões no Mar del Plata Film Festival decorram ontem, no Auditorium, e a 15 de novembro, às 14h30, no Colon.
Visão do realizador
João Nuno Pinto contextualiza que o filme surgiu da necessidade de refletir sobre questões ambientais presentes no Alentejo e na crise global. O realizador afirma: «18 Buracos para o Paraíso nasceu de um desejo antigo de refletir sobre a catástrofe ambiental que estamos a testemunhar; não como uma ameaça abstrata, mas como uma realidade quotidiana».
O autor refere que vive no Alentejo desde 2020, onde observou «a seca, a desertificação e as pressões do turismo e da especulação imobiliária». Explica ainda que o filme assume uma estrutura tripartida em que a mesma história é contada por três mulheres com visões distintas.
Segundo o realizador, essa abordagem narrativa reorganiza a perceção dos acontecimentos e coloca o público «dentro dos mundos inquietos e frágeis destas mulheres».
João Nuno Pinto conclui que a obra é «uma reflexão sobre fragilidade: da terra, da sociedade e da conexão humana», sublinhando que o tema local se relaciona com uma realidade global partilhada.















