Em Évora, 15 entidades da cidade uniram-se e criaram o primeiro Plano Municipal de Apoio ao Cuidador Informal do país.
Dirigido pelo município, este plano tem como objetivo «colocar todas as instituições que trabalham com os cuidadores informais a trabalharem em conjunto e a pensarem de uma forma global e coordenada», segundo o dr. Nuno Jacinto, diretor Clínico dos Cuidados de Saúde Primários do Hospital de Évora, em declarações a’ODigital.pt.
«Mais do que um conjunto de intenções, é colocar na prática o trabalho que cada uma destas entidades já realiza e pegando nesse bom que cada um já tem, construir algo ainda melhor», acrescentou o diretor, dizendo ainda que se pretende «potenciar estas capacidades».
Com a ideia de «enfatizar» a figura do cuidador informal, este plano vai-lhes dar «o apoio e as ferramentas de trabalho, quer a nível do hospital logo numa fase inicial do processo, quer depois a nível dos cuidados de saúde primários».
Um trabalho de coordenação e entreajuda entre as entidades e o cuidador, para que «este se sinta acompanhado no processo de tratamento daquela pessoa de quem elas cuidam».
«No que nos compete, é não permitir que estas pessoas se sintam perdidas no sistema, com apoios de outras instituições, com idas regulares ao domicílio, com esclarecimento de dúvidas, com apoio também ao cuidador», afirmou.
O diretor sublinhou ainda que assim também se permite que os doentes «tenham cuidados atempados e regulares da nossa parte» e evita «ou que fiquem nos hospitais desnecessariamente, ou que andem recorrentemente a ter de ir às unidades de saúde para tratar de coisas que podiam ser tratadas neste âmbito».
Em relação ao pioneirismo a nível nacional da cidade de Évora neste tipo de iniciativas, Nuno Jacinto vincou que «apesar de termos a dimensão de outras cidades, temos uma população muito envelhecida e com uma carga elevada de doenças crónicas».
«Muitas destas entidades já trabalhavam esta questão do apoio aos cuidadores informais e dos cuidados prestados no domicílio. Há 15 anos que o cuidador informal é já uma prioridade neste contexto», acrescentou.
Desta forma, «juntaram-se aqui várias vontades dos dois lados», o que «traz ganhos reais para os utentes, para os cuidadores e para nós, enquanto sociedade».
«Esperemos que seja o impulso para que muitos outros municípios sigam o mesmo caminho», concluiu.
Este plano envolve a Câmara Municipal de Évora, a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, o Centro Distrital de Évora do Instituto da Segurança Social, a ADBES, o Agrupamento de Escolas Manuel Ferreira Patrício, a APPACDM – Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, a APCE – Associação de Paralisia Cerebral de Évora, a Associação Nacional de Cuidadores Informais, a Cáritas Diocesana de Évora, a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida, a Guarda Nacional Republicana, a Obra de São José Operário, a SUÃO e a Universidade de Évora – Café Memória.

















