O Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, recebeu esta terça-feira a exposição fotográfica “Do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975” da autoria do fotojornalista Marques Valentim.
Patente na Galeria de Arte até ao dia 13 de abril, a exposição conta com 55 fotografias do autor, onde «talvez 90% delas, estou a mostrá-las pela primeira vez, 50 anos depois», segundo Marques Valentim.
São oito meses em imagens, quando «praticamente todos os dias havia acontecimentos», desde a tentativa de golpe de estado dirigida por António de Spínola até à «consolidação da democracia».
O fotojornalista referiu que a mostra teve origem de um convite por parte do município, já que «o presidente sabia que eu tinha um grande espólio fotográfico».
«Estão aqui os momentos mais importantes que decorrem do 11 de Março e que culminam com o 25 de Novembro», destacou, acrescentando ainda que «quem quiser estudar a história recente de Portugal, pode ver, em imagem, aquilo que aconteceu na época».
Com cerca de «150 mil fotografias» da época, de «momentos vividos muito intensamente», Marques Valentim sublinhou que «tenho cenas em que não fui sequer a casa dormir, porque tinha de estar a fazer a cobertura fotográfica do acontecimento».
Como destaques, o autor realçou as primeiras eleições depois do 25 de Abril, o Dia do Trabalhador, os casos do Jornal República e da Rádio Renascença, assim como o discurso de Mário Soares na Fonte Luminosa e o rapaz «de muletas, que ficou tão empolgado, que as levantou como se estivesse curado».
«O Caso República fez com que o governo da altura caísse e depois surgisse o Vasco Gonçalves, ligado mais ao Partido Comunista, e que dá origem ao PREC», complementou ainda.
Já Inácio Esperança, presidente da Câmara Municipal, atirou que «foi um ano muito importante para Portugal e para aquilo que hoje somos», reforçando que estão agora patentes «fotografias inéditas» com vários protagonistas «importantes para a estabilização da democracia no país».
Em relação ao fotojornalista, o autarca frisou que «tem um espólio valiosíssimo de fotos e algumas fotos dele são icónicas» e que estas são um «bom aperitivo para todos virem ver, principalmente aqueles que viveram estes períodos e aqueles que, não vivendo, os conhecem da história».
As 55 fotografias foram escolhidas pelo município seguindo um critério «muito simples»: «Selecionámos as datas e os acontecimentos ao longo do ano de 75 e para cada data e acontecimento, havia dez fotografias».
«O Marques Valentim tem centenas de fotos que nunca viram a luz do dia e que estão nos rolos em sua casa e poderia haver quase 100 fotos», acrescentou.
Inácio Esperança deixou ainda a possibilidade de poder ser lançado o repto para a visita de alunos à exposição, «se houver interesse principalmente daqueles que estudam esta época nas suas aulas».
De seguida, fique com a foto-reportagem da inauguração da exposição.





















































