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Ovibeja volta a afirmar-se como espaço de debate agrícola e convívio, diz Rui Garrido

Presidente da ACOS destaca papel da Ovibeja como espaço de debate sobre agricultura, inovação e interioridade.

A 42.ª edição da Ovibeja arranca esta quarta-feira, em Beja, com um programa centrado na agricultura, na inovação e no debate das principais questões do setor. Em entrevista, o presidente da ACOS, Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, sublinha o papel do evento como espaço de reflexão, reivindicação e convívio.

Tema central destaca vinho e azeite

O tema principal desta edição é «Vinho à Prova», uma escolha que, segundo Rui Garrido, resulta do reconhecimento do Baixo Alentejo como Cidade Europeia do Vinho.

«Desde logo, provar vinhos. Mas é muito mais do que isso», afirma, explicando que o objetivo passa também por promover a reflexão sobre o setor vitivinícola.

O responsável adianta que o evento inclui um colóquio dedicado aos mercados, ao agroturismo e à gastronomia, com a participação de entidades como a ViniPortugal e a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.

Uma das novidades passa pela reorganização do Pavilhão Terra Fértil, agora dedicado exclusivamente ao vinho e ao azeite, com provas comentadas, showcookings e apresentação de produtos ao público.

Ovibeja mantém carácter reivindicativo

A componente reivindicativa volta a marcar presença nesta edição, com destaque para temas como a nova Política Agrícola Comum (PAC) e o acordo Mercosul.

«Faz parte da génese da Ovibeja […] colocar em cima da mesa as grandes preocupações do setor e da região», refere Rui Garrido.

O presidente da ACOS confirma que foram convidados o Primeiro-Ministro e o Ministro da Agricultura, estando também previstos encontros com partidos políticos e representantes do setor.

Entre as preocupações, destaca-se ainda a Estratégia Água que Une, cuja evolução é considerada insuficiente pela organização.

Custos de produção preocupam agricultores

Rui Garrido alerta também para o aumento dos custos de produção, associado ao contexto internacional.

Segundo o responsável, o gasóleo agrícola subiu cerca de 60 cêntimos desde março, enquanto os fertilizantes registaram aumentos médios de 30%.

«Produziremos com custos mais elevados, mas com preços de venda que não poderão ser superiores», afirma, apontando para uma situação de concorrência desigual face a outros países.

Presença institucional e política reforçada

A edição deste ano conta com a realização de uma reunião do Conselho de Ministros no dia 30 de abril e com a presença de vários membros do Governo.

Estão confirmadas participações do Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do Ministro da Economia, Manuel Castro Almeida.

O Presidente da República manifestou também interesse em marcar presença, embora a data não esteja ainda confirmada.

Inovação, tecnologia e regiões convidadas

A Ovibeja volta a apostar na inovação e tecnologia, com destaque para um espaço dedicado a novas tecnologias, investigação e inteligência artificial.

A região convidada desta edição é Terras de Trás-os-Montes, que trará produtos regionais e manifestações culturais.

Entre as novidades está também a presença de empresários brasileiros e o reforço da área expositiva dedicada à caça e pesca.

Evento aposta na sustentabilidade financeira

A organização da Ovibeja continua a assentar em receitas próprias, sem financiamento público estrutural.

«A feira tem de se fazer e sustentar através do seu próprio orçamento», explica Rui Garrido, referindo que as principais fontes de receita são a bilheteira, os espaços expositivos e os patrocínios.

Um espaço de agricultura, debate e convívio

Para o presidente da ACOS, a Ovibeja mantém a sua identidade enquanto feira agrícola, mas com uma dimensão mais ampla.

«É um local de trabalho, de conhecimento, mas igualmente, um local de lazer e de convívio», afirma, sublinhando que o evento continua a atrair visitantes de todo o país.

«A Ovibeja é um local onde todos se sentem bem», conclui.

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