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Autárquicas/Évora: CDU recandidata autarca para segurar câmara mas tem já três adversários

A CDU não quer deixar ‘fugir’ a Câmara de Évora, que recuperou aos socialistas há oito anos, e aposta num terceiro mandato de Pinto de Sá, que tem já três candidaturas adversárias: PS, BE e uma coligação liderada pelo PSD.

Historicamente, no município, a corrida eleitoral costuma ser decidida ‘a dois’, entre o PS e a coligação formada pelo PCP e pelo Partido Ecologista “Os Verdes”.

O atual presidente Carlos Pinto de Sá recandidata-se para tentar o terceiro mandato e o PS apresenta José Calixto, autarca do vizinho concelho de Reguengos de Monsaraz, onde já cumpriu os três mandatos consecutivos e não se pode recandidatar.

Raul Rasga, pelo BE, e Henrique Sim-Sim, pela coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT, são os outros candidatos já anunciados a Évora, cujo centro histórico é Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), desde 1986.

O Chega chegou a apresentar como cabeça de lista o professor de História aposentado Humberto Baião, mas, cerca de dois meses após o anúncio, o candidato abandonou a lista, alegando divergências com as estruturas partidárias locais. O partido promete apresentar um novo candidato.

Também o Movimento Cuidar de Évora, criado no início deste ano, prevê concorrer nas autárquicas deste ano e promete anunciar os candidatos à câmara, assembleia municipal e a algumas juntas de freguesia no dia 18 deste mês, segundo Florbela Fernandes, uma das fundadoras.

No final de 2012, após ser eleito para cinco mandatos consecutivos à frente da Câmara de Montemor-o-Novo, Pinto de Sá deixou a presidência desta autarquia, à qual já não se podia recandidatar, e nas eleições do ano seguinte passou para a capital de distrito.

O comunista conquistou então o município de Évora aos socialistas, que o governavam desde 2001 – quando o PS pôs fim a 25 anos de liderança comunista – e repetiu a vitória em 2017.

Neste concelho alentejano, com 52.441 habitantes em 2019 (menos 4.275 do que em 2010), segundo a base de dados Pordata, Pinto de Sá quer segurar agora a liderança por mais quatro anos e promete “investimento estruturante”.

O PS vê José Calixto como ‘trunfo’ para inverter o tabuleiro autárquico. A CDU teve maioria absoluta na câmara nestes dois mandatos – com quatro eleitos, os socialistas com dois, enquanto a coligação PSD/CDS-PP elegeu um, em 2013, ficando esse lugar de vereador nas mãos do PSD, em 2017 -, mas não na assembleia.

Com experiência acumulada em mais de 15 anos como autarca em Reguengos de Monsaraz (como ‘vice’ e como presidente), o socialista quer passar a dar cartas no concelho onde estudou e também viveu.

Reconhece que, no último verão, o surto de covid-19 no lar da fundação a que preside em Reguengos de Monsaraz por inerência estatutária, que provocou a morte de 16 utentes e de uma funcionária (e de um morador local), foi dos momentos mais difíceis, mas afirma-se de “consciência totalmente tranquila” e diz que foi feito o “humanamente possível”.

Neste concelho alentejano com 1.307 quilómetros quadrados, em que os idosos com 65 ou mais anos eram 23,4% da população em 2019 (acima da média nacional, de 22%), o PSD, que há quatro anos foi sozinho às urnas, integra agora uma coligação com CDS-PP, PPM e MPT.

Henrique Sim-Sim, líder da concelhia do PSD, com experiência em cooperação para o desenvolvimento, diz que o projeto “pode contribuir para mudar as condições de vida” das comunidades e quer “criar uma cidade atrativa para os jovens”.

A aposta do BE, o professor e antigo jornalista Raul Rasga, ex-militante do PS, define ‘bandeiras’ como a transparência na governação, as questões ambientais ou o lançamento de um plano de emergência económica e social, tendo em conta a crise gerada pela pandemia de covid-19.

No concelho, os trabalhadores por conta de outrem auferiam um ganho médio mensal de 1.098,80 euros em 2018 (contra 1.168,42 a nível nacional), segundo a plataforma estatística Eyedata.

O município registava 9,21 médicos por mil habitantes em 2019, de acordo com a Eyedata, acima dos 5,39 de média nacional.

As autárquicas deste ano ainda não têm data marcada, mas, por lei, realizam-se em setembro ou outubro.

Por: Rita Ranhola e Sérgio Major

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