InícioÚltimasAutárquicas/Beja: Vítor Picado, “viciado...

Autárquicas/Beja: Vítor Picado, “viciado em pessoas”, quer recuperar município para a CDU

Assumidamente “viciado em pessoas”, Vítor Picado candidata-se pela CDU à Câmara de Beja com um projeto “alicerçado no contacto direto com a população”, para recuperar este que foi antigo ‘bastião’ comunista, perdido para o PS em 2017.

Atual vereador sem pelouro, neste mandato de maioria socialista, e antigo vice-presidente, na anterior gestão CDU (2013 a 2017), define-se como “um construtor de sorrisos e motivações” e, em conversa com a agência Lusa, não consegue esconder a sua forte tendência para interagir com os outros em todas as situações.

Este projeto está alicerçado no contacto direto com a população, com os trabalhadores, os jovens, procurando ativamente, com a sua ação, contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Esses são os alicerces para a construção da alternativa política de que Beja precisa”, refere.

O projeto, de resto, remete para aquele que elege como um dos livros da sua vida, “O Principezinho”, de Saint-Exupéry, que diz revisitar “várias vezes”.

Há uma passagem muito interessante que diz: o que é que quer dizer cativar? É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços. […] As pessoas, quando se sentem vinculadas, contribuem ativamente para dar resposta às questões [a] mudar na sua freguesia, bairro, concelho, cidade”, compara Vítor Picado, 44 anos.

Na conversa com a Lusa, o tal “vício” em pessoas está sempre presente no seu discurso – por exemplo, quando indica a “prioridade às pessoas e ao bem-estar social“, a “afirmação da cidade e do concelho” e a “melhoria dos serviços do município” como pontos fortes da sua candidatura.

Ou quando explica que dar “formação pedagógica inicial de formadores” é uma atividade que lhe dá “imenso prazer, porque permite estar em contacto com inúmeras pessoas”, assim como “aprender com elas” e colocar-se a si mesmo “à prova”.

Enquanto eu ensinava pedagogia e como estar em frente a um grupo, eles ensinavam-me muitas coisas das suas áreas de formação e eu procurava perceber como é que nós conseguimos, em tão pouco tempo, transmitir às pessoas o essencial”, assinala.

E é talvez a meio da conversa que faz a ‘confissão’: “Preciso do meu espaço, como toda a gente, mas sou viciado em pessoas. No sentido de sentir essa energia das pessoas. Nas formações e no contacto com as pessoas, é natural que absorvamos essa energia”, admite o formador.

Alentejano convicto”, procurou sempre, ao longo da vida, “não perder o castelo de vista, como se diz em Beja”, mantendo-se “ligado às pessoas” da terra.

Assume, no entanto, uma “falha enquanto alentejano”, que é a falta de um canivete no bolso quando, nos tempos livres, procura estar com amigos, geralmente à volta de uma mesa.

Não gosto de andar com muitas coisas no bolso. Não uso carteira, tenho apenas um [cartão] multibanco e o dinheiro de que preciso. Tenho um canivete, que até é bom, por sinal, mas quando preciso dele não o tenho à mão”, lamenta.

A contragosto, Vítor Picado aceita o desafio da Lusa e elege como virtude a “capacidade de ‘calçar os sapatos’ do outro”. Como defeito, aponta o de tornar-se “chato”.

Quando gosto, gosto muito e às vezes posso tornar-me chato, no sentido de preocupar-me com a pessoa. Gosto muito de brincar, de ‘atrofiar’ pessoas, de abraçar, de apertar e torno-me chato. E repito muitas vezes a mesma conversa. Não sei se para vincar, mas quando as coisas me empolgam dou por mim a repetir as mesmas coisas”, admite.

A música ocupa “um espaço muito importante” na sua vida, sobretudo a que “transmita alguma mensagem”, desde logo a de José Afonso e José Mário Branco, assim como “a garra, a energia e o sentir da Mariza”.

No entanto, os Pearl Jam são a sua banda favorita “desde sempre”, pela energia e mensagem, mas também pela “melancolia, quando tem de ser”.

Vi-os no Dramático de Cascais [em 1996], em miúdo, vestido a rigor. Durante uma série de anos, interpretei o estilo ‘grunge’, de Seattle, na minha forma de vida. Ainda há pouco tempo mostrava uma foto minha, de cabelo comprido, e as pessoas não me reconheciam. ‘Mas tu eras assim?’ Sim, eu sou tudo isto”, relata.

O atual executivo municipal é constituído por quatro eleitos do PS e três da CDU.

Segundo a lei, as autárquicas decorrem entre setembro e outubro.

Por: Sérgio Lopes

Mais notícias

Rede de tráfico escondia droga em tampas de esgoto e caixotes do lixo em Beja

O Tribunal de Beja começou esta segunda-feira a julgar 20 arguidos suspeitos de integrarem...

GNR deteve 14 pessoas e registou 37 acidentes numa semana no distrito de Beja

A GNR deteve 14 pessoas em flagrante delito e detetou 361 infrações rodoviárias no...

Maria Bárbara Loução vence 5.ª edição do Prémio Literário Joaquim Mestre

O romance “Aconteceu no Outeiro Bravo”, da autoria de Maria Bárbara Dias Loução, venceu...

Alentejo tem 82,2 MW de potência eólica e distrito de Évora continua sem aerogeradores instalados

O Alentejo tinha 82,2 megawatts (MW) de potência eólica ligada à rede no final...

Beja lança concurso de 190 mil euros para melhorar acessibilidades junto à Escola Mário Beirão

O Município de Beja lançou um concurso público para a empreitada de melhoria das...

NORMAL prepara abertura de nova loja em Beja em julho e já há localização conhecida

A NORMAL vai abrir uma loja em Beja durante o mês de julho, no...

Ana Horta candidata-se à presidência das Mulheres Socialistas do Baixo Alentejo

Ana Horta formalizou a candidatura à presidência da Estrutura Federativa das Mulheres Socialistas –...

Évora e Beja entre os distritos com maior quebra na criação de empresas até maio de 2026

Os distritos de Évora e Beja registaram algumas das maiores reduções na constituição de...

Dois intoxicados após mistura de ácidos em plataforma comercial em Beja

Duas pessoas ficaram intoxicadas após uma “mistura de alguns ácidos” numa plataforma comercial Continente,...

Mais visto