O Bairro Comercial Digital de Évora (BCDÉ) deu esta terça-feira mais um passo na modernização do comércio local com a apresentação dos lockers inteligentes, uma nova ferramenta tecnológica que permitirá aos comerciantes disponibilizar produtos aos clientes para além do horário habitual de funcionamento das lojas.
A apresentação decorreu no Mercado Municipal de Évora e incluiu também a divulgação do novo vídeo promocional do projeto e o ponto de situação dos trabalhos para a criação da futura identidade visual do Bairro Comercial Digital.
A vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, destacou que os novos cacifos eletrónicos permitem prolongar a atividade dos estabelecimentos para além do seu horário habitual. Segundo explicou, «há agora a possibilidade de quem vai estar fechado continuar a ter uma forma de entregar os produtos e fazer uma ligação direta com o cliente», permitindo que o consumidor possa levantar as suas compras posteriormente, de forma autónoma.
Lockers funcionam como extensão das lojas
A gestora do Bairro Comercial Digital de Évora, Alexandra de Jesus, explicou que os lockers inteligentes são uma das componentes tecnológicas do projeto e destinam-se a facilitar a recolha de encomendas efetuadas diretamente nas lojas ou através do marketplace que será disponibilizado futuramente.
Atualmente existem dois pontos de recolha instalados na cidade, um no Mercado Municipal e outro no parque subterrâneo da Praça Joaquim António de Aguiar. Depois de o comerciante depositar a encomenda no cacifo, o cliente recebe automaticamente um código PIN no telemóvel que lhe permite levantar a compra.
Segundo Alexandra de Jesus, o projeto conta já com «mais de 200 aderentes» e esta nova ferramenta vem reforçar os serviços disponíveis. «No fundo, os cacifos vão funcionar como uma extensão do balcão das lojas e é mais uma ferramenta que os comerciantes podem ter à disposição dos seus clientes», afirmou.
A responsável sublinhou ainda que o objetivo passa por continuar a alargar a rede de participantes, envolvendo mais estabelecimentos comerciais, serviços e restauração do Centro Histórico.
Comerciantes veem oportunidade para dinamizar o centro histórico
Entre os comerciantes presentes na sessão, a adesão ao projeto foi encarada como uma oportunidade para reforçar a competitividade do comércio tradicional.
Delfina Marques, proprietária de uma loja de capotes, considerou que o Bairro Comercial Digital representa «um caminho que se iniciou e que se vai fazer caminhando», acrescentando acreditar que a iniciativa será importante para um setor que «bem precisa de ser dinamizado».
A comerciante mostrou-se igualmente otimista quanto ao impacto da iniciativa na cidade. «Já era hora de termos algo que seja aglutinador a nível do centro histórico e do comércio tradicional», afirmou, defendendo que o projeto poderá beneficiar os comerciantes, a vida urbana e a receção aos visitantes.
Para Delfina Marques, Évora possui ainda um potencial que pode ser melhor aproveitado. «Muitas vezes nem temos essa noção de que Évora é uma cidade tão diferenciada. É uma joia que temos nas nossas mãos e que precisamos de polir», referiu.
Restauração espera ganhar maior visibilidade
Também a restauração vê no projeto uma oportunidade para alcançar novos públicos.
Rita Simão, proprietária do restaurante Café Alentejo, considera que a plataforma digital poderá ajudar os consumidores a descobrir melhor a oferta existente no Centro Histórico. «Há sempre pessoas que não sabem que existe a loja A, B ou C, ou aquilo que cada negócio faz», afirmou.
A empresária acredita que o Bairro Comercial Digital poderá funcionar como uma montra adicional para os comerciantes e para os eventos promovidos pelos estabelecimentos locais. «É uma montra que cresce. Pelo menos é a nossa esperança», referiu.
Programação de verão pretende atrair mais pessoas ao Centro Histórico
Durante a apresentação, Carmen Carvalheira revelou ainda que o município está a trabalhar numa programação de verão destinada a atrair mais visitantes ao Centro Histórico.
A vereadora explicou que a intenção passa por criar iniciativas em vários espaços públicos da cidade, incluindo praças, jardins e o mercado municipal, envolvendo diretamente os comerciantes na construção das atividades.
«A ideia é criarmos uma programação de verão que seja atrativa para as pessoas virem ao centro histórico, para virem às compras, para virem à praça, para virem ao mercado», afirmou. A autarca acrescentou que o objetivo passa também por incentivar os próprios comerciantes a promover workshops e demonstrações dos seus produtos e serviços junto do público.
Integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Bairro Comercial Digital de Évora faz parte de uma iniciativa nacional que envolve 95 municípios e cerca de 25 mil estabelecimentos de comércio e serviços. O projeto pretende reforçar a digitalização dos negócios instalados no Centro Histórico e criar novas formas de ligação entre comerciantes, residentes e visitantes.






















