A ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo lançou o concurso público para a construção da Aceleradora de Empresas em Tecnologias Críticas, Energia e Mobilidade Inteligente – Rui Nabeiro, em Évora, dando assim mais um passo na concretização de um projeto anunciado há vários anos para reforçar o ecossistema de inovação do Alentejo.
O anúncio do procedimento estabelece um preço base de 2,2 milhões de euros para um designio já antigo da ADRAL, que será construído junto ao atual ÉvoraTech.
Projeto começou a ser preparado no âmbito do Alentejo 2020
A criação da Aceleradora Rui Nabeiro foi inicialmente anunciada em 2022, quando a ADRAL apresentou candidatura ao Programa Regional Alentejo 2030, no âmbito do aviso “Infraestruturas e Equipamentos Tecnológicos”.
Na altura, a agência regional revelou que o projeto teria um investimento global de cerca de dois milhões de euros e uma duração prevista de 24 meses, com o objetivo de criar condições para o desenvolvimento de negócios inovadores ligados às tecnologias críticas, energia e mobilidade inteligente.
Em abril de 2025, a ADRAL anunciou a aprovação do financiamento da operação através do programa Alentejo 2030, num montante de 1 700 117 euros, correspondente a 85% do investimento elegível.
Na cerimónia de assinatura dos termos de aceitação, o presidente da ADRAL, João Grilo, classificou o projeto como «a concretização de uma ambição relativamente antiga» e afirmou que a infraestrutura iria responder «a uma necessidade que o território tem».
Infraestrutura quer acelerar negócios tecnológicos
Em janeiro deste ano, em entrevista ao jornal ODigital.pt, João Grilo explicou que a Aceleradora Rui Nabeiro terá um modelo diferente das incubadoras tradicionais existentes no território. Na altura, o presidente referiu que o valor do investimento iria rondar os 1,6 milhões de euros, sendo que, agora, se regista um aumento de cerca de meio milhão.
Segundo o responsável, o objetivo passa por criar «uma infraestrutura de aceleração de negócios» destinada a projetos «já com alguma maturidade ou com algum estudo associado», sobretudo nas áreas das tecnologias críticas, energia e mobilidade inteligente.
João Grilo referiu ainda que a aceleradora pretende funcionar como ponte entre investigação, investimento e mercado, ajudando projetos empresariais a transformar ideias em produtos comercializáveis.
«A ideia é criar o ambiente favorável para estruturar esse produto e lançá-lo no mercado», afirmou na altura ao ODigital.pt.
O presidente da ADRAL explicou também que o modelo da estrutura pressupõe uma permanência temporária das empresas, apenas durante a fase de aceleração e entrada no mercado.
«Não queremos que se perpetuem no espaço», afirmou.
Projeto terá dimensão internacional
A ADRAL prevê que a aceleradora funcione com uma forte componente de internacionalização e ligação ao investimento externo.
Segundo João Grilo, o projeto contará com parcerias estratégicas, incluindo a Universidade de Évora e investidores internacionais, nomeadamente a NorBAN, estrutura ligada a “business angels” noruegueses.
O responsável adiantou ainda que a aceleradora poderá acolher projetos oriundos de outras regiões e de outros países.
«A ideia é sempre partir daqui do Alentejo, mas com uma perspetiva global», afirmou.
Homenagem a Rui Nabeiro
O nome da infraestrutura presta homenagem ao comendador Rui Nabeiro, fundador do Grupo Nabeiro – Delta Cafés.
João Grilo justificou anteriormente a escolha pelo facto de Rui Nabeiro representar «a imagem de um Alentejo empreendedor e dinâmico», recordando ainda o apoio demonstrado pelo empresário ao projeto ainda em vida.
Segundo a memória descritiva da operação, a aceleradora pretende reforçar o ecossistema regional de inovação, promovendo incubação, aceleração, transferência de tecnologia, prototipagem e apoio à internacionalização de empresas.















