O temporal registado no passado domingo, em Estremoz, causou cerca de 20 ocorrências no concelho, tendo provado ainda a queda de um muro na Rua dos Fidalgos.
José Sádio, presidente da autarquia, sublinhou hoje, dia 10 de abril, que este dano estrutural «foi consequência de um fenómeno extremo e muito violento, até em termos daquilo que é a avaliação de risco por parte das entidades de Proteção Civil».
Realçou que recebeu um alerta, por parte da Proteção Civil «às 16:15h, em que alterava o estado para alerta laranja», contudo «este aviso reportava das 15:50h até às 19h».
«A Proteção Civil não estava à espera. Foi um fenómeno que gerou de forma inesperada», acrescentou.
O presidente referiu também que «a quantidade de água que caiu naquela hora era bem suficiente para um estado de alerta vermelho», depois de consultadas algumas «estações meteorológicas».
Detalhou que «a intensidade de precipitação chegou aos 136,8 mm por metro quadrado», o que «é uma brutalidade».
«Estremoz, de forma muito desafortunada, foi vítima daquilo que acontece no mundo inteiro», complementou o autarca, afirmando ainda que «falando com engenheiros e arquitetos, a conclusão a que chegámos é que eventualmente, ainda que tivesse reparado, o muro cairia na mesma».
Em relação à empreitada no muro, José Sádio destacou que «a obra não está feita, não por desleixo ou porque achamos que é dinheiro mal gasto», até porque «nós não discutimos o preço».
Frisou que «há mais de um ano» que a autarquia procura «empresas para fazer aquela obra», mas que «já consultamos mais de uma dúzia e meia de empresas que não a quiseram, por vários motivos».
«Aconteceu e aconteceria sempre, estivéssemos como estivéssemos, mas é uma pequena obra que será resolvida assim que tenhamos essa capacidade», acrescentou.
Ainda assim, o presidente relevou o facto de que «não houve nenhuma vítima» e que «não foram de evitar» estes eventos climáticos.
«As alterações climáticas trazem, cada vez mais, de forma mais sistemática, fenómenos extremos e infelizmente calhou-nos a nós», disse, vincando ainda que «temos é de estar atentos e conservar o que é para conservar e resolver o que é para resolver».
Questionado relativamente a críticas da oposição de falta de investimento no património, José Sádio respondeu que «se calhar, andamos perto já quase das duas dezenas de milhões de euro em quatro anos».
Referiu ainda que, em novembro de 2024, reuniu com a Secretária de Estado da Cultura em vigência e com a vice-presidente da CCDR Alentejo, Ana Paula Amendoeira, numa reunião onde «manifestámos a preocupação perante a questão das muralhas».
«Isto é a prova que estamos preocupados, procuramos soluções, e aquilo que é a nossa intervenção, temo-lo feito. Há investimentos previstos e temos já projetos a avançar», rematou o autarca.


















