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Dia da Mulher: «Consegue-se ser mãe, mulher, amiga, filha e política ao mesmo tempo»

O Dia Internacional da Mulher está aí “à porta” e é historicamente celebrado neste dia 8 de março, sábado.

Estipulado em 1975, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data pretende celebrar os direitos da mulher, enquanto membro ativo da sociedade.

Um destes direitos é o direito à política, ou seja, tanto a participar ativamente, como a votar. Contudo, volvidos 50 anos, no Alentejo Central atualmente há “apenas” três mulheres a liderar municípios, sendo elas Silvia Pinto (Arraiolos), Paula Chuço (Mora) e Marta Prates (Reguengos de Monsaraz).

«Apenas somos 29 mulheres presidentes»

Para entender melhor este “fenómeno”, ODigital.pt falou com a presidente reguenguense, que relembrou que em 2021, data das últimas eleições autárquicas, «passámos a ser menos».

«As mulheres até perderam representatividade. A nível nacional, apenas somos 29 mulheres presidentes de Câmara, 9,4% do total dos 308 municípios. É muito pouco e inferior a 2017, onde eramos 32», acrescentou.

Marta Prates vincou que acredita que esta falta de representatividade se prende com «fatores históricos e questões sociais», já que «as estruturas de poder estiveram sempre, historicamente, nas esferas do poder masculino».

«É possível»

Desta forma, as questões ligadas «à família, à gravidez, a ter filhos, a ter de orientar uma casa no fundo, ainda são muito feitas pelas mulheres» e isso «condiciona muito», pois «qualquer cargo de decisão exige muito de quem lá está».

Ainda assim, a presidente reforçou que «é possível», mesmo sendo «um desafio grande para as mulheres» e deu o seu exemplo pessoal.

«Não tenho hora para entrar no município, não tenho hora para sair do gabinete, não tenho fins de semana, não tenho feriados. Estamos sempre a trabalhar para a comunidade», atirou, acrescentando que «tenho duas filhas, já um bocadinho mais velhas e sinto que elas gostavam um bocadinho mais da minha companhia».

Tudo isto «obriga que, da parte da família, haja uma compreensão, uma sustentação familiar e uma rede de apoio muito grande», adicionou ainda.

«Há muitos fatos e gravatas e poucas saias»

Para além disso, realçou que também a presidente da Assembleia Municipal de Reguengos de Monsaraz também é uma mulher, Maria de Fátima Marques, e esta dinâmica «funciona muito bem e com todo o respeito dos nossos pares masculinos».

Porém, como Marta Prates é a representante do concelho, acaba por sair muito do “gabinete” e estar em muitas reuniões e eventos. Aí, contou a autarca, sente que «há muitos fatos e gravatas e poucas saias», mas que «em momento algum senti qualquer tipo de preconceito».

«Noto muito que, de facto, os políticos são muito homens, mas sinto-me ouvida e respeitada nas minhas opiniões e na minha ideologia, como qualquer homem», revelou, dizendo também que não pode «falar» pelas restantes presidentes do Alentejo Central, mas «não me parece que tenham uma opinião divergente da minha».

Com todo este contexto, a presidente atirou que as mulheres «não devem ter medo de ser políticas», mesmo que dê «um bocadinho de trabalho»: «Consegue-se ser mãe, mulher, amiga, filha e política ao mesmo tempo».

«Conheço mulheres inteligentíssimas, com uma capacidade de trabalho extraordinária, que pensam muito bem e que podiam servir os seus territórios de uma forma incrível», referiu.

«Pode haver alguma falta de coragem»

Marta Prates comentou também que vê com “bons olhos” o correr dos tempos, pois «acho que estamos a avançar e as coisas estão um bocadinho diferentes», e que a participação feminina tem como «ponto essencial» o «fortalecer a democracia», que só se completa «quando há maneiras diferentes de pensar, de sentir as comunidades e de estar, que são naturais entre as mulheres e os homens».

«Não querendo generalizar, mas os homens têm por princípio ser mais práticos e as mulheres mais pensadoras. Isto ajuda, porque acabamos por juntar duas formas de estar que, para resolver um determinado problema, acho que é muito bom termos mais do que uma perspetiva», complementou.

A presidente deixou ainda o apelo para que haja a «coragem», por parte do género feminino, de entrar no mundo político: «Que sejam e que tenham voz».

«É um mundo muito masculino, onde impera o patriarcado, digamos assim, e pode haver alguma falta de coragem nesse sentido», concluiu.

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