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Estremocense Rita Rato vai sair da direção do Museu do Aljube em Lisboa

A diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rita Rato, revelou à agência Lusa que não foi reconduzida no cargo que ocupava naquele espaço tutelado pela empresa municipal EGEAC – Lisboa Cultura.

A diretora do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Rita Rato, revelou à agência Lusa que não foi reconduzida no cargo que ocupava naquele espaço tutelado pela empresa municipal EGEAC – Lisboa Cultura.

A ex-deputada da PCP, natural de Estremoz, que liderava a direção do museu desde 2020, indicou que a EGEAC lhe comunicou que a comissão de serviço “não seria renovada, com efeitos a partir de 01 de abril”.

“Durante os últimos cinco anos, as atividades do Museu do Aljube envolveram uma média de 45 mil visitantes por ano, totalizando um número superior a 270 mil visitantes”, contabiliza a responsável numa declaração enviada à Lusa por correio eletrónico.

Na quarta-feira, também em declarações à Lusa, o diretor artístico do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão, tinha confirmado a sua não recondução, numa altura em que a EGEAC realiza um “processo de avaliação conjunta” dos seus equipamentos culturais na capital.

Contactada por telefone e por correio eletrónico, a EGEAC respondeu com uma declaração: “O Conselho de Administração da EGEAC está a desenvolver um processo de avaliação conjunta com o objetivo de decidir a recondução ou a não recondução dos atuais dirigentes”.

“Em breve serão comunicadas as alterações que venham a decorrer deste processo”, acrescentava a mensagem sobre o processo de avaliação dos seus 25 espaços culturais tutelados, entre museus, galerias, cinemas e monumentos em Lisboa.

Num balanço do trabalho no Museu do Aljube, Rita Rato diz à Lusa sentir-se “muito satisfeita com o trabalho desenvolvido” ao longo dos seis anos de direção, num edifício que funcionou como prisão política durante 37 anos – de 1928 a 1965 – com celas coletivas e de isolamento, que ainda hoje se podem ver, no interior, como memória da repressão.

O museu foi instalado em 2015 naquela antiga prisão para presos políticos, para promover a memória do combate à ditadura e à resistência em prol da liberdade e da democracia, e recordar toda a história desse período sombrio vivido por Portugal numa exposição de longa duração que descreve o fascismo, a resistência, a vida na cadeia, a luta anticolonial e a Revolução do 25 de Abril, ao longo de três pisos do edifício.

Na declaração enviada à agência Lusa, Rita Rato faz um balanço alargado da atividade do espaço cultural desenvolvido: 21 exposições temporárias realizadas, visitado por mais de 45 mil estudantes e 940 escolas, formação de professores, presencial e ‘online’, envolvendo 2534 educadores, cerca de 9.000 pessoas em visitas orientadas promovidas por associações e outras entidades, indica.

Acrescenta ainda o lançamento do projeto exposições itinerantes, “que levou cinco grandes áreas temáticas dos direitos humanos a mais de 170 espaços culturais e educativos no país e estrangeiro, envolvendo milhares de participantes”, além de acolhimentos de 153 iniciativas promovidas por outras entidades, com oito livros editados.

A diretora lembra igualmente a criação do Arquivo Digital, “com disponibilização de mais de 14 mil documentos ‘online’, recolha de cerca de 45 testemunhos de resistentes antifascistas, e a criação do projeto Museu Acessível que disponibilizou, pela primeira vez, a possibilidade de visitas com intérprete de língua gestual e audiodescrição, bem como recursos dirigidos a pessoas com outras necessidades específicas”.

“Foram quase seis anos de árduo trabalho de que me orgulho, fazendo deste museu um espaço de educação para os direitos humanos, democracia e liberdade”, conclui Rita Rato, que tinha concorrido ao lugar e foi selecionada para iniciar funções em agosto de 2020, num mandato de dois anos, que foi depois prolongado até ao final de 2022, e novamente até janeiro deste ano.

Rita Rato agradece também o “excelente trabalho” da equipa do museu, com 13 pessoas, e a todos os colaboradores de projetos culturais, académicos, escolares, arquivísticos, nacionais e internacionais, “tendo como objetivo a preservação da memória democrática e a educação para os direitos humanos”.

Na prisão do Aljube estiveram cativos, entre milhares de resistentes à ditadura, políticos, escritores e artistas como Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, Manoel de Oliveira, Agostinho Neto, Palma Inácio, Emídio Guerreiro, João Soares e Mário Soares, que celebrou o seu casamento com Maria Barroso, por procuração, neste estabelecimento prisional, em 1949.

Um ano antes, foram encarcerados na cadeia do Aljube todos os membros da Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática, muitos deles envolvidos na candidatura do general Norton de Matos à Presidência da República (1949), então apresentada.

O Museu do Aljube possui um centro de documentação, onde disponibiliza literatura especializada, desenvolve atividades de investigação, trata e partilha um arquivo documental e promove a recolha testemunhal dos resistentes à ditadura.

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