InícioÚltimasGoverno vai criar grupo...

Governo vai criar grupo de trabalho para valorizar Calçada Portuguesa

O Governo vai criar um grupo de trabalho para a Calçada Portuguesa, com o objetivo de estudar a situação desta prática profissional e artística e propor medidas que a valorizem, anunciou hoje o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

O Governo vai criar um grupo de trabalho para a Calçada Portuguesa, com o objetivo de estudar a situação desta prática profissional e artística e propor medidas que a valorizem, anunciou hoje o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.

“O Governo prepara-se para criar um Grupo de Trabalho para a Valorização dos Calceteiros e da Calçada Portuguesa. A iniciativa pretende proteger, dignificar e assegurar a continuidade deste património cultural imaterial que é único no mundo e candidato à classificação pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade”, indicou à Lusa fonte oficial do ministério de Margarida Balseiro Lopes.

O grupo de trabalho vai ser formado por representantes nomeados pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tendo um prazo de seis meses para apresentar um relatório final, a contar a partir da entrada em vigor do despacho do Governo.

Segundo o Governo, “este grupo “terá como missão analisar a realidade dos calceteiros, apresentar propostas concretas e fazer recomendações legislativas que assegurem a salvaguarda, a valorização e a sustentabilidade da profissão e da Calçada Portuguesa”.

Inscrita no inventário nacional do Património Cultural Imaterial desde 2021 com necessidade de salvaguarda urgente, por proposta da Associação da Calçada Portuguesa, esta prática foi alvo de uma resolução da Assembleia da República, de 2018, que recomendava a adoção pelo Governo, “em parceria com o poder local, [de] políticas de conservação da calçada portuguesa que minimizem a sua degradação, sem prejuízo da incorporação de materiais que melhorem a sua mobilidade, aderência e conforto, tanto nas zonas históricas como nas zonas recentes”.

Essa recomendação incluía, já, a proposta de promoção da “candidatura da calçada portuguesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, atenta a sua singularidade, internacionalmente reconhecida”.

Em março do ano passado, a candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês) foi entregue à Comissão Nacional, envolvendo a Associação da Calçada Portuguesa, com mais de 50 calceteiros, a colaboração de oito municípios – Braga, Estremoz, Faro, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Porto de Mós e Setúbal -, e o apoio de mais de 20 instituições nacionais públicas e privadas.

“A Calçada Portuguesa traduz-se numa forma de produção e manutenção de pavimentos por meio de um saber-fazer tradicional que está em forte declínio, devido à idade avançada dos detentores deste património imaterial. A arte de calcetar é milenar, mas a produção de Calçada Portuguesa inicia-se como uma técnica específica na primeira metade do séc. XIX, em Lisboa, […] expandindo-se por todo o país e por vários continentes”, pode ler-se na documentação patente no inventário nacional do Património Cultural Imaterial.

Com uma matéria-prima fornecida por extratores e transformadores de pedra, esta é executada no chão pelos calceteiros “com a sua mestria, por tradição viva, transmitida de pais para filhos ou adquirida, enquanto aprendiz, no exercício da profissão com outros calceteiros”.

“A dureza do trabalho, que é realizado em qualquer altura do ano, a baixa remuneração e algum estigma social associados a quem a produz, tem, contudo, afastado os mais jovens de se iniciarem nesta atividade, ao mesmo tempo que os mestres calceteiros vão desaparecendo. Assim, urge a valorização dos saberes ligados à Calçada Portuguesa, através do reforço da valorização dos donos de tais saberes: os calceteiros”, refere o mesmo texto no inventário nacional.

“Se Lisboa chegou a ter 400 calceteiros no ativo, em 1927, passaria para menos de 30, em 1979 e tem hoje pouco mais de uma dúzia (além de 4 cantoneiros de arruamento), todos em idade já avançada, além de enorme desgaste rápido das suas condições físicas, o que revela uma clara tendência para a extinção eminente desta técnica tradicional”, segundo o mesmo documento, datado de 2020 e muito focado em Lisboa.

Além de Portugal, a calçada portuguesa está presente em locais de Espanha, Gibraltar, Bélgica, Chéquia, China, com particular incidência no território de Macau, Malásia, Timor-Leste, Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil, Estados Unidos e Canadá.

Mais notícias

Pouca Roupa lança primeiro espumante produzido pela adega alentejana João Portugal Ramos

A marca Pouca Roupa, da adega alentejana João Portugal Ramos Vinhos, apresentou o seu...

Incêndio destrói “parte da sala” de uma habitação em Estremoz

Um incêndio habitacional deflagrou esta segunda-feira, dia 15 de junho, na Rua Condessa de...

Governo prolonga prazo para municípios decidirem sobre regulamento para alojamento local

O Governo aprovou recentemente um decreto-lei para um regime excecional que prolonga até ao...

Deputado do PS questiona Governo sobre construção da nova ponte em Fronteira

O PS pediu ao Governo uma atualização sobre o projeto de construção da nova...

Há 10 milhões de euros para mobilidade elétrica: Veja se pode beneficiar

O Governo abriu uma nova fase de candidaturas aos incentivos para a aquisição de...

Ciência na Rua com dezenas de cientistas e artistas no dia 20 em Estremoz

A nona edição da iniciativa Ciência na Rua vai decorrer no próximo dia 20,...

Estremoz: Dois espetáculos do festival de fado marcados para esta semana

A 5.ª edição do Festival de Fado de Estremoz, no distrito de Évora, tem...

Governo cria Alfândega de Sines para reforçar operações aduaneiras no principal porto nacional

O Governo anunciou a criação da Alfândega de Sines, uma nova unidade da Autoridade...

Há três cidades alentejanas a entrar pela primeira vez na rede da FlixBus

A FlixBus anunciou o reforço da sua operação no Alentejo através do lançamento da...

Mais visto