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Feira Nacional do Cavalo formaliza candidatura a património cultural com ambição de chegar à UNESCO

A Feira Nacional do Cavalo, realizada anualmente na Golegã, formalizou a candidatura ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, com o objetivo de, futuramente, avançar para uma classificação como Património da Humanidade pela UNESCO.

A candidatura, apresentada na feira do Cavalo, foi formalmente entregue ao Ministério da Cultura em setembro e está em fase apreciação. O processo, que reúne cerca de duas mil páginas, inclui documentação histórica, testemunhos e um vasto acervo fotográfico, com registos que remontam ao século XIX, explicou à Lusa José de Castro Canelas, diretor da Feira Nacional do Cavalo.

“É uma candidatura muito rica e bem fundamentada. Temos documentos desde a instituição da feira por D. Sebastião, referências ao Marquês de Pombal e concursos promovidos por D. Luís, além de fotografias e publicações de jornais dos séculos XIX e XX”, afirmou.

Segundo o responsável, o objetivo é que, após a aprovação nacional, Portugal prepare uma candidatura à UNESCO.

“Conhecendo outras candidaturas, esta é das mais completas e com maior mérito para obter uma boa classificação”, sublinhou.

A Feira Nacional do Cavalo, que decorre durante dez dias em novembro, atrai atualmente cerca de um milhão de visitantes à vila da Golegã, que tem pouco mais de três mil habitantes. Durante o evento, circulam cerca de três mil cavalos, todos identificados e sujeitos a regras de bem-estar animal.

“O que distingue esta feira é a ligação ao lazer. Ao contrário de outras concentrações equestres, aqui não se trata apenas de competição desportiva. É uma romaria, com trajes tradicionais, convívio, fado e gastronomia”, descreveu José de Castro Canelas.

A candidatura destaca também a importância do cavalo lusitano, considerado o cavalo de sela mais antigo do mundo e um “embaixador” de Portugal.

“É um produto agrícola para a economia nacional e com grande projeção internacional”, referiu.

A origem da Feira remonta a 1571, quando foi instituída por D. Sebastião como espaço de comercialização de cavalos. Ao longo dos séculos, a feira evoluiu, tornando-se palco de concursos e competições e afirmando-se como referência na criação de cavalos lusitanos, o cavalo de sela mais antigo do mundo.

Segundo o responsável, nos últimos anos, a feira tem recebido visitantes de todos os continentes e reforçado a internacionalização.

“Há décadas que exportamos cavalos para Espanha e para o mundo. Até a guarda real de Marrocos foi equipada com cavalos lusitanos”, recordou.

Para além da feira, a Golegã acolhe o Centro de Alto Rendimento Equestre e organiza mais de 20 fins de semana anuais com atividades ligadas ao setor.

“A expansão tem de ser pensada e controlada, mas há capacidade para crescer”, concluiu.

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