O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, anunciou que o descongelamento das propinas no ensino superior está dependente de uma reforma da ação social.
O governante explicou, ao jornal Público, que a revisão do modelo de ação social para o superior terá de levar em conta o custo da propina no valor da bolsa, surgindo assim a ligação.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, a presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUÉ), Ana Beatriz Calado, sublinhou que este tema não deverá ser resolvido «para já», mas acredita que «seja algo pensado a longo/médio prazo».
Ainda assim, a presidente vincou que este deve ser uma luta dos estudantes, mas também «das famílias e dos cidadãos» e, ainda dos reitores, «porque eles também vivem um bocadinho do financiamento dessas propinas».
«Acho que realmente o financiamento das instituições é que devia aumentar e não as propinas dos estudantes», acrescentou Ana Beatriz Calado, dizendo ainda que «todos, em conjunto, iremos defender que esse não é caminho».
Desta forma, realçou que as propinas não são o «entrave» à entrada no ensino superior, «mas sim a habitação e o alojamento». No entanto, com a possibilidade de descongelamento em mãos, «irá ser obviamente um constrangimento gigante a quem a entrada e a permanência no ensino superior».
«Não podemos retroceder naquilo que são os processos do ensino superior e, se for para descongelar, que seja para diminuir e nunca aumentar», frisou a presidente.
Ainda assim, Ana Beatriz Calado confessou que não acredita que há «desinteresse» no tema, por parte do ministério, até porque «o movimento estudantil nunca reuniu tanto com o ministro da Educação como reuniu nestes últimos dois anos».
«Estão interessados naquilo que é a nossa opinião. Acho que, se houvesse desinteresse, não nos reuniríamos tantas vezes», atirou.
Porém, e já que esta questão «sempre foi muito polémica», a presidente da AAUÉ referiu que pensa que o Governo «não tenha muito mais manobra para o financiamento» do ensino superior e que um possível aumento das propinas seria «o caminho mais fácil».
Nesse sentido, a presidente enfatizou que o que «faz sentido é caminhar para o ensino superior gratuito e de qualidade», sendo essa a «opinião da Associação Académica da Universidade de Évora já há muitos anos».
«Estávamos a caminhar nesse sentido, mas quando existe este congelamento, houve aqui um entrave», acrescentou.
Ainda assim, consentiu que «protegeu todos os estudantes e familiares de não de aumentar a propina», mas «eu acredito que temos de continuar a caminhar neste sentido».


















