O mau estado de várias estradas e as deficiências da estação ferroviária levaram o presidente da Câmara Municipal de Grândola a solicitar uma reunião com o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), com o objetivo de discutir problemas nas infraestruturas rodoviárias e ferroviárias do concelho, apontando riscos para a segurança de residentes e utilizadores.
Segurança nas estradas preocupa autarquia de Grândola
Em declarações ao ODigital.pt, Luís Vital Alexandre explicou que existem “várias questões” a serem debatidas, sublinhando que estas “não afetam só o concelho de Grândola”, uma vez que envolvem vias utilizadas diariamente por pessoas de diferentes municípios. A principal preocupação, referiu, é a “segurança, quer dos residentes no concelho de Grândola, quer de quem diariamente circula nestas vias”.
“Algumas delas são vias regionais e que ligam vários concelhos e até regiões do país”, acrescentou.
Estrada Regional 261 entre Comporta e Melides em mau estado
Entre os principais pontos em cima da mesa está a Estrada Regional 261, que liga Comporta a Melides. Segundo o autarca, esta via “apresenta sinais preocupantes de degradação em diversos troços” e “pode colocar os utentes em perigo”.
Luís Vital Alexandre classificou a situação como uma “zona crítica”, explicando que a estrada “já se encontra em muito mau estado há pelo menos um ano”, apesar de ter sido alvo de “algumas reparações pontuais” por parte da Infraestruturas de Portugal.
“Não têm resolvido a questão, porque, neste momento, face às chuvas, as condições têm-se degradado muito”, vincou.
Troço degradado entre Carvalhal e Comporta
Também o troço entre Carvalhal e Comporta apresenta “sinais muito preocupantes de degradação, com a abertura de buracos no pavimento, alguns deles de dimensões muito assinaláveis”.
Estrada Regional 253 com sinais de degradação
No que diz respeito à Estrada Regional 253, entre Comporta e Tróia, o presidente da Câmara de Grândola alertou que esta é igualmente uma via com “sinais de degradação”, não apenas devido ao tráfego de viaturas ligeiras.
“Face aos investimentos que estão em curso nesta zona, a circulação de pesados tem acentuado os danos”, frisou.
Obras do IP8 e impacto na rede viária local
A reunião com a Infraestruturas de Portugal deverá também servir para esclarecer preocupações relacionadas com as “obras de transformação do IP8 em A26”, um processo que, segundo o autarca, levanta questões tanto “pela população” como “pela Proteção Civil”.
“Há um conjunto de vias que são utilizadas há muitos anos e vão desaparecer por completo”, afirmou, acrescentando que “inclusive, no concelho de Santiago do Cacém, há um nó que vai ser eliminado e precisamos de saber melhor todo este enquadramento”.
Outro dos temas a abordar é a situação de vias com menor tráfego, como a Estrada Nacional 120, que liga Grândola a Santiago do Cacém e a várias aldeias da região.
Queixas recorrentes sobre estradas chegam à Câmara de Grândola
De acordo com Luís Vital Alexandre, o município recebe “recorrentemente” queixas relacionadas com o mau estado das estradas, “por vezes queixas diárias”, com “relatos de danos em viaturas nomeadamente pneus furados, ou danos que vão um pouco mais além”.
“São questões perigosas, porque podem provocar despistes. Não somos nós quem gere essas vias, mas as pessoas, pela proximidade, recorrem à Câmara Municipal. Depois, redirecionamos para quem de direito”, explicou.
Estação ferroviária de Grândola sem condições adequadas
No setor ferroviário, a principal preocupação prende-se com a Estação de Grândola, que, segundo o presidente da Câmara, “não tem condições para fazer face às condições meteorológicas”.
“No inverno é a chuva, no verão é o calor extremo e não tem casas de banho em funcionamento”, afirmou, acrescentando que a estação regista “muita procura”, sobretudo desde que “a cidade de Alcácer deixou de ter serviço ferroviário de passageiros”.
Luís Vital Alexandre alertou ainda que a infraestrutura “começa já a apresentar alguns sinais de degradação e falta de limpeza” e que é frequente haver “várias dezenas de pessoas a aguardar na plataforma, aglomerando-se debaixo de um telheiro exíguo e que já tem alguns danos”.
“É uma situação muito complicada, em particular para os jovens, que apanham o comboio para ir para as cidades onde estudam”, acrescentou.
O autarca sublinhou que a expectativa é que a Infraestruturas de Portugal “tenha sensibilidade para estas questões, pelo menos por aqueles troços que estão em pior estado”, mesmo que não seja necessária uma “intervenção de fundo”.
“Que seja uma intervenção mais ligeira ou mais rápida, porque a urgência destas intervenções é realmente muita”, afirmou.
Autarquia admite recorrer a instâncias superiores
Questionado sobre a possibilidade de a reunião não se concretizar ou de as expectativas não se confirmarem, Luís Vital Alexandre admitiu que, nesse cenário, “provavelmente teremos de pedir reuniões a instâncias superiores ou ao governo”.















