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«Uma cidade que lê é uma cidade com futuro», diz Carlos Zorrinho na abertura da Feira do Livro de Évora

Évora quer transformar Feira do Livro em Festival Literário e reforçar papel da cultura na projeção da cidade.

A Feira do Livro de Évora abriu este sábado com uma ambição que ultrapassa o calendário anual do evento. O presidente da Câmara Municipal, Carlos Zorrinho, falou a edição de 2026 como o ponto de partida para a criação de um Festival Literário, enquadrando a iniciativa numa estratégia mais ampla de afirmação cultural da cidade.

Perante representantes institucionais, agentes culturais e público, o autarca assumiu esta edição como o «ano zero do Festival Literário de Évora», defendendo que a evolução do modelo permitirá reposicionar o evento e reforçar o papel da literatura na vida cultural local .

O evento surge num momento em que Évora se prepara para ser Capital Europeia da Cultura em 2027, contexto que atravessou toda a intervenção e que serviu de base à leitura política e estratégica do evento.

Uma estratégia cultural com ambição europeia

Nas palavras proferidas, Carlos Zorrinho apontou a Feira do Livro como instrumento de longo alcance, integrado numa visão de desenvolvimento cultural sustentado. «Vivemos tempos de enorme desafio para a humanidade», afirmou, enquadrando a cultura como resposta a transformações sociais e tecnológicas .

A literatura surge, neste contexto, como elemento central dessa resposta. «A cultura em geral e a literatura em particular são irmãs gémeas da imaginação e do sonho», referiu, numa intervenção que cruzou reflexão política com referências ao papel simbólico da criação literária .

A ambição passa por transformar a Feira do Livro num espaço de produção cultural contínua, com capacidade de atrair públicos diversificados e reforçar a centralidade de Évora no panorama nacional e internacional.

O centro histórico como palco e argumento

A escolha do centro histórico, junto ao Templo Romano, não foi apresentada apenas como uma opção logística, mas como parte integrante da identidade do evento. O presidente da Câmara rejeitou interpretações que apontam para uma desvalorização do património, afirmando que a iniciativa «não esconde o Templo Romano. Emerge dele» .

A articulação entre espaço urbano e programação cultural foi destacada como elemento diferenciador, numa lógica que procura cruzar turismo, património e criação contemporânea.

Neste enquadramento, a temática “Évora” orienta a edição de 2026, estabelecendo uma ligação entre a tradição literária e as vozes atuais. Segundo o autarca, trata-se de um “diálogo contínuo” que recusa a separação entre passado e presente .

Entre a memória literária e as novas vozes

A programação foi desenhada com base nessa interligação, convocando referências históricas e autores contemporâneos, numa estrutura que procura dar continuidade à identidade literária da cidade.

A evocação de nomes ligados à história cultural de Évora surge a par de novos autores, num modelo que pretende alargar o público e diversificar a oferta. A organização assume a leitura e a escrita como práticas associadas à cidadania e à formação.

Carlos Zorrinho sublinhou essa dimensão ao referir que a Feira do Livro «é um evento cultural, educativo e social, de encontro entre gerações» .

Leitura como instrumento de cidadania

A intervenção destacou ainda o papel da leitura na construção de uma sociedade mais participativa, apontando a necessidade de criar condições para o acesso ao livro e à cultura.

O objetivo da programação, segundo o presidente, passa por «conquistar mais leitores, formar mais cidadãos e alimentar o espírito crítico» .

A referência à cidadania surge associada a uma visão de longo prazo, em que a cultura é entendida como fator estruturante do desenvolvimento local e da coesão social.

Uma cidade projetada no futuro

A ligação à Capital Europeia da Cultura 2027 foi assumida como eixo estruturante da estratégia, com a Feira do Livro a integrar esse processo de afirmação externa de Évora.

«Queremos continuar a fazer de Évora um farol do Humanismo», afirmou Carlos Zorrinho, reforçando a ideia de continuidade entre o passado histórico da cidade e os objetivos futuros .

No final da intervenção, o autarca sintetizou a visão apresentada numa frase que condensa o papel atribuído à leitura na projeção da cidade: «uma cidade que lê é uma cidade com futuro» .

A Feira do Livro de Évora decorre até 9 de maio, no centro histórico da cidade, reunindo editoras, livreiros, autores e leitores, numa edição que assinala o início de uma nova fase na estratégia cultural do município.

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