Na inauguração da bienal cultural “Monsaraz Museu Aberto”, a vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Alentejo, Ana Paula Amendoeira, lamentou o «arranque de sobreiros para instalar campos de painéis fotovoltaicos».
Estas afirmações vieram à tona depois da vice-presidente referir que o evento tem uma «programação cultural se preocupe em demonstrar e propor reflexão e pensamento crítico sobre aquilo que se está a passar na nossa terra»
Sublinhou que o «arranque de sobreiros» surge no Alentejo ao «abrigo de projetos inovadores supostamente, como é o exemplo da transição energética».
«Não é possível que não haja uma solução melhor para uma transição energética que não seja destruir aquilo que tem séculos e até milénios de construção humana», acrescentou.
Destacou o «montado», como das «unidades mais relevantes de paisagem ambiental», mas também «do ponto de vista do rendimento», que, segundo a vice-presidente, «está a ter um ataque sem tréguas com estas propostas».
«O ‘verde’ é uma palavra mágica que se tornou adjetivo. ‘Se é verde é bom’ e os projetos são automaticamente positivos, mas não são, ou pelo menos, não necessariamente», vincou Ana Paula Amendoeira.
São problemas «gravíssimos», mas que «muitas pessoas não têm consciência daquilo que é o tempo que estamos a viver e estamos a destruir».
Relativamente à programação cultural, a vice-presidente da CCDR, destacou que «não penso que tenha a pretensão de resolver os problemas do mundo», mas ainda assim, «pode ter a pretensão legitima de tratar dos nossos problemas da nossa terra e educar para uma outra visão».
«Acho que é um dever de todos aqueles que têm consciência crítica. As pessoas sentem as coisas através da arte. É um veículo importante para a construção de uma consciência crítica e da paz», realçou.
«Este programa, sendo uma gota de água para a nossa região, é arriscado, porque não vai ter milhares de pessoas, nem ‘likes’ nas redes sociais, nem alinha com a receita de muitos sítios de entretenimento», acrescentou, referindo ainda que «mas tem a preocupação de travar a cultura do excesso».
Ana Paula Amendoeira destacou ainda que «se formos ao nosso conhecimento tradicional e atualizarmo-nos para o futuro, esse é um contributo que podemos dar para as alterações climáticas».















