O Paço Ducal de Vila Viçosa tem, a partir desta terça-feira, patente ao público uma exposição de dedicada à obra de Luiz Vaz de Camões, de forma a assinalar os 450 anos da primeira edição d’Os Lusíadas.
Em Declarações a’ODigital.pt a diretora do Museu Biblioteca da Fundação Casa de Bragança, Maria de Jesus Monge, explicou que “a ideia de lançar esta exposição foi revelar um pouco daquilo que está normalmente ausente da visão dos visitantes, pois, temos uma grande biblioteca, porque o Rei D. Manuel II colecionou e deixou-nos uma camoniana quase completa, sendo que o Conselho de Administração da Casa de Bragança conseguiu adquirir os dois exemplares que faltavam há alguns anos atrás e por isso somos os felizes proprietários aqui em Vila Viçosa, de uma camoniana completa, ou seja, todas as edições feitas em Portugal e no mundo até 1800 temos um exemplar aqui em Vila Viçosa”.
Diz Maria de Jesus Monge que “trata-se de um tesouro quase único no mundo, mas para além desta coleção existem mais duas ou três, existe a coleção do José do Canto, nos Açores, existe a da Biblioteca Nacional Portuguesa e pouco mais.”
Questionada sobre o que pode ser encontrado nesta exposição a responsável disse que “esta exposição tem exatamente facsimiles das duas primeiras edições que, no fundo, eventualmente serão dois aspetos de uma mesma, portanto, até esse mistério inicial aqui é evocado, temos outras edições de referência por variadíssimas razões e um conjunto de águas-fortes, dez águas-fortes, dedicadas, cada uma a um dos cantos dos Lusíadas, de Mestre Gil Teixeira Lopes e exatamente efetuadas aquando do centenário, em 1980.”
Esta é uma coleção que tem atraído a Vila Viçosa investigadores e estudiosos, pois, “somos uma coleção de referência mundial e, portanto, quem quer estudar a obra de Luís Vaz de Camões tem que passar por Vila Viçosa e, naturalmente, quando se fala do centenário, quando se fala de assinalar os 450 anos da primeira edição e dentro de muito pouco tempo, os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões”, disse ainda Maria de Jesus Monge.
ODigital.pt falou também o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Tiago Salgueiro, que disse que “realmente temos aqui no Paço Ducal de Vila Viçosa, no Museu Biblioteca da Casa de Bragança, a Grande Camoniana, uma biblioteca reunida pelo rei D. Manuel II, que faz uma alusão direta a Camões e à sua obra-prima e, portanto, a nossa ideia aqui também, em parceria com a Fundação da Casa de Bragança, é poder promover alguns eventos que permitam ao grande público, aos visitantes que venham até a Vila Viçosa conhecer um pouco mais sobre esta realidade.”
Diz ainda o autarca que “o Paço esconde atrás das suas paredes muitos tesouros e, também temos aqui esta oportunidade de dar um novo enfoque a essa coleção e tentar perceber qual a importância da coleção e quais são as principais obras, as diferentes edições dos Lusíadas em diferentes línguas e, portanto, é mais um tesouro que temos em Vila Viçosa e que é necessário valorizar e divulgar.”
Fique de seguida com as imagens da abertura da exposição, numa reportagem de Hugo Calado e Sara Alves:















