José Manuel Santos é, agora de forma oficial, candidato à presidência da Agência de Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA).
Uma candidatura apresentada esta quinta-feira, dia 20 de março, e que tem como objetivo acumular funções, sendo o próprio é também presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo.
Em declarações a’ODigital.pt, José Manuel Santos destacou que pretende «fazer também no Alentejo aquilo que já se passa no resto do país», onde se procura que «a presidência da Agência de Promoção Turística seja também assegurada pela Entidade Regional de Turismo».
«Injetar sangue novo»
Isto permite «uma gestão integrada unificadora destas várias funções», o que tornará o trabalho «mais eficiente» e otimizará «recursos».
«Têm a ver com a necessidade de nós podermos melhorar alguns aspetos do trabalho da agência, o que é normal. As organizações estão em permanente mutação», acrescentou.
Desta forma, a direção candidata vai ser composta por 10 membros, sendo que se mantém a ERT, o grupo Vila Galé e o Grupo Pestana, relembrando que esta agência é uma entidade associativa.
«Vamos tentar injetar sangue novo, mais ousadia, para melhorarmos a eficiência do nosso trabalho de promoção», sublinhou.
Isto significa que a ARPTA «tem de ter uma maior consciência» e com isso «pode um conjunto de iniciativas mais atinentes com esse estatuto».
José Manuel Santos vincou que entende que «há áreas, onde é preciso acelerar muito alguns processos», como é o caso da «comunicação digital», que tem uma estrutura «atrasada».
«Trazer mais eventos ligados ao mercado corporativo»
Assim, disse, pretende-se uma agência «mais forte, mais funcional, mais próxima dos associados e mais consciente do seu estatuto».
Mas também «que possa investir mais nos mercados que estão a devolver mais turistas e mais receitas, sem perder de vista as novas geografias da procura internacional e os novos mercados emergentes».
O também presidente da ERT realçou que é preciso «também trazer mais eventos ligados ao mercado corporativo», onde «temos aí um forte trabalho a desenvolver».
Quer também «dinamizar a atração de produções cinematográficas internacionais», uma vez que «temos uma Film Commission que não conhecemos, com quem não temos nenhuma relação».
Desta feita, o candidato acredita que «esta nova equipa estará à altura deste novo tempo e conseguirá manter e melhorar o trabalho que foi feito, nestes últimos 20 anos», que foi de «grande qualidade».
«A procura externa tem de aumentar»
Em relação à questão da “ousadia”, José Manuel Santos esclareceu que tem a ver com as mudanças de «realidade», já que «continuamos presos num intervalo vicioso dos 34%».
«A procura externa no Alentejo tem de aumentar a sua representatividade. É óbvio que nunca teremos a representatividade que o mercado internacional tem em destinos como Algarve ou Lisboa, mas temos de nos aproximar de um patamar de representatividade à volta dos 40%», adicionou.
Afirmou que só com o mercado internacional se vai conseguir «pagar os investimentos que estão a ser feitos e que vão aumentar nos próximos anos», isto porque «a procura nacional tem ainda alguma margem de crescimento, mas é muito dependente da sazonalidade e dos calendários das férias escolares».
«O Alentejo é um destino razoavelmente conhecido nalgumas geografias internacionais, mas está longe de ser um destino muito conhecido», referiu, dizendo ainda que «não temos um mercado forte ao nível do mercado sénior e não temos um mercado forte ao nível da juventude do mercado do Alentejo».
Desta forma, perfila-se necessário «recuperar o mercado brasileiro, que continua aquém dos níveis da pré pandemia», assim como «recuperar as quase 30 mil dormidas que perdemos no mercado espanhol no ano passado» e ainda «abordar e explorar melhor o mercado norte americano».
Para além disso, «é preciso trabalhar melhor as novas geografias de mercados emergentes».
«Isto numa região que não tem um aeroporto internacional. O nosso é o de Lisboa e o novo aeroporto só vai estar pronto daqui a dez anos», complementou o candidato.
«Precisamos de trabalhar, prosseguindo o trabalho que tem vindo a ser feito, mas atacando claramente num cenário internacional mais incerto», disse ainda.
«Temos de ser mais criteriosos»
Questionado em relação ao tema de uma escolha menor de mercados, José Manuel Santos explicou que «temos de ser mais criteriosos», pois «os recursos são finitos».
«Estamos com esta dificuldade, em que não temos um fluxo de fundos europeus como tivemos no passado», disse, o que dificulta a tarefa dos investidores. Assim «temos de escolher melhor os mercados nos quais temos de fazer a promoção».
A finitude dos recursos levou o também presidente da ERT a afirma que «teremos de nos abster de fazer promoção em mercados que, ainda que possam canalizar alguns milhares de dormidas para a região, são perfeitamente inócuos na nossa estrutura de procura e canalizar esses recursos para a promoção geral».
Assim «precisamos também que o Alentejo continue a crescer em termos do número de associados e isso, obviamente, uma associação com mais associados será sempre mais forte e mais interventiva», concluiu.


















