A Associação de Agricultores do Sul (ACOS) prevê que a presente campanha lanar seja fraca, depois das anteriores ficarem abaixo das expectativas.
A informação chegou a’ODigital.pt através de uma circular da associação, onde se pode ler que a lã se «acumula em armazém ano após ano» e que a «a pouca que é transacionada» não cobre «os custos de transporte, de processamento e de armazenagem».
Desta forma, a ACOS decidiu «não repercutir estes custos aos produtores», retirando a obrigatoriedade de entrega de material à associação, porque «não conseguirá pagar qualquer montante pela grande maioria da lã concentrada».
«Não consegue antever melhorias para a campanha de 2025», destaca ainda o comunicado.
Em declarações ao nosso jornal, Rui Garrido, presidente da ACOS, confirmou esta realidade, sublinhando que «devido ao ano passado, já não vai ser possível pagar nada».
Explicou que a lã armazenada na associação é levada para uma «grande cooperativa espanhola», de relevo «na Andaluzia e na Extremadura», com objetivo de comercializar o material em questão.
Contudo, o principal comprador, a China, «deixou de comprar lã a Portugal e Espanha», o que obrigou a «baixar o preço», mas não os «custos de transporte, que estão acima do preço de mercado».
«Está muito complicado. Já não recebemos nada dos espanhóis e este ano já não obrigamos as pessoas a entregarem a lã, porque têm de pagar o transporte», acrescentou.
Ainda assim, Rui Garrido realçou que estão a ser feitos «todos os possíveis para encontrar outros mercados» e também para «aumentar os nichos de mercados que temos»
Porém, o presidente não antevê um ano fácil para os agricultores, já que isto pode «tornar a lã mais barata em todo o lado».
«Os agricultores já perguntam se podem queimar, mas não se pode, porque isto é um subproduto e tem regras. Já não sabem o que fazer à lã e nós também não, neste momento», adicionou.
Desta forma, o presidente atirou que «o mercado está parado» e «sem negócio» e que agora os agricultores «têm de ficar com a lã em casa».
«Até há uns anos, vendia-se a lã, o que pagava a tosquia e ainda sobrava algum dinheiro. Agora é ao contrário, nem se vende. É mais uma despesa que os agricultores têm de ter e não sabem o que fazer», concluiu.


















